Monde Musique

Blog de música. Toda música. Por Lucas Cunha

A história da música nacional em 300 discos

O livro do titã Gavin apresenta guia sobre os discos mais importantes da MPB

O livro do titã Gavin: um guia sobre discos importantes da MPB de todos os tempos

A primeira vez que tive contato com o trabalho de historiador e ativista na preservação da história da música brasileira do “roqueiro” Charles Gavin foi quando comprei o relançamento em CD dos dois discos dos Secos & Molhados. Provavelmente isso foi ali na época que estava entrando na faculdade de jornalismo, algo circa 2003.

Não vou lembrar o ano exato, ou até se tinha lido sobre algum outro relançamento com a mão do baterista dos Titãs (meu primeiro show de rock na vida, na Concha Acústica, turnê do disco Domingo). Mas sem dúvida foi ali que seu trabalho como historiador da MPB teve real impacto na minha formação musical.

Na real, a primeira vez que fui prestar atenção nos Secos & Molhados já tinha sido, indiretamente, por meio de Gavin e os Titãs, que prestaram uma homenagem a um seminal grupo que tinha Ney Matogrosso como vocalista, com um remake da capa do clássico disco de 1973 no início do clipe da música “Eu não aguento”.

Voltando da digressão, tive a oportunidade de conversar por telefone com Gavin à época do lançamento do, talvez, seu mais ambicioso projeto: um livro sobre os 300 discos importantes da música brasileira.

Comprei esse livro na Livraria Cultura em São Paulo (que, por sinal, devo ter emprestado por alguém que até hoje não me devolveu ou perdi em alguma mudança de apartamento) e quando voltei pra Salvador sugeri essa matéria para o Caderno 2+ de A TARDE. O editor do caderno, Adalberto Meirelles, muito gentilmente, embarcava nas sugestões do recém-formado jornalista e deu capa pro textinho abaixo.

Matéria originalmente publicada em 13/12/2008.

“Antes de ser baterista, já era um aficionado por música, especialmente por discos”. É assim que se define Charles Gavin, que ganhou fama como baterista da banda de rock Titãs, mas cada vez mais tem seu nome ligado pelo trabalho como historiador da música brasileira.

Após relançar em CD diversos clássicos da música nacional, nos últimos dez anos, Gavin lança um livro ímpar que serve como guia da MPB dos anos 20 até hoje: é o 300 discos importantes da música brasileira.

“Não tivemos a pretensão de colocar os mais importantes, mas é claro que ali tem algumas das obras fundamentais da nossa música”, diz Gavin, em entrevista por telefone do Rio de Janeiro, no intervalo entre as gravações do próximo disco dos Titãs (produzido por Rick Bonadio), quando passou em sua casa, segundo suas palavras, “para dizer que estava vivo”.

Assim como os bons e mais valorizados vinis, o preço do livro é salgado (R$ 230) e pouco disponível (vendido na Livraria Cultura ou pelo site atualmente está esgotado). Mas quem investir esse valor vai encontrar um livro de 435 páginas, com tamanho de vinil ( a maioria das obras foi lançada neste formato), além de fotos de todas as capas e outras imagens, algumas delas inéditas, dos artistas citados, com textos sobre cada um dos trabalhos listados. Sem contar os discos Elza Soares – Baterista Wilson das Neves (1968) e Moreira da Silva – O Último Malandro (1958), que vêm encartados junto ao livro.

Assim que teve a primeira ideia do livro, Gavin convidou o jornalista Tárik de Souza para falar sobre o projeto. Tárik sugeriu estender o convite aos também jornalistas Carlos Calado e Arthur Dapieve. Mais à frente, colaboradores, especialistas em diferentes áreas, foram convidados para dar uma heterogeneidade ao livro.

“Primeiro, nós discutimos quem seriam os artistas, para depois escolher quais discos ficaram entre os 300”, explica Gavin, dizendo que até foi fácil chegar aos 200, que seriam praticamente unanimidades. Mas o número final saiu depois de muita discussão.

Esse tipo de democracia em escolhas faz parte do trabalho de Gavin, já que os Titãs tinham, na sua formação clássica (antes da saída de Arnaldo Antunes e Nando Reis, além da morte de Marcelo Fromer), nada menos que oito membros.

Gavin explica que a escolha por priorizar os artistas foi para ampliar o leque. Poucos artistas tiveram mais de um álbum listados. São eles: Tom Jobim, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento, Chico Buarque, Tim Maia, além dos baianos João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil.

Mas, até pela lista dos outros baianos presentes, fica evidente a diversidade de estilos que fogem das usuais listas dos melhores da música nacional.

Astrud Gilberto, A Cor do Som, Elomar, Gal Costa, Maria Bethânia, Moraes Moreira, Nana Vasconcelos, Raul Seixas, Riachão, Batatinha e Panela, Tom Zé, Trio Elétrico Dodô e Osmar, Ilê Aiyê, Olodum e Margareth Menezes, além dos baianos de natureza, Pepeu Gomes e Novos Baianos, compõem o panorama de artistas da Bahia na lista principal.

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