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Blog de música. Toda música. Por Lucas Cunha

Arctic Monkeys chega ao ápice sem perder a essência em AM

Novo som, novo visual para os Arctic Monkeys: Nick O'Malley, Jamie Cook, Matt Helders e Alex Turner. Foto: Zackery Michael | Divulgação

Novo som, novo visual para os Arctic Monkeys: Foto: Zackery Michael | Divulgação

Sempre fui mais #teamArcticMonkeys do que #teamStrokes. Ok, arte não é comparação. Mas entre as duas bandas que fizeram a cabeça da garotada no rock anos 2000, a banda de Alex Turner me agravada mais que dos rapazes liderados por Julian Casablancas.

E o tempo, senhor da razão, fez ver que minha simpatia maior pelos “macacos do ártico” estava certa. Enquanto os contemporâneos rumam ao ostracismo (alguém ainda lembra que o Strokes lançou disco em 2013?), os Monkeys construíram uma interessante discografia, que resulta no “AM”, o quinto – e melhor – de sua carreira.

Curiosamente, muita gente do  rock anos 2000 lançou disco em 2013. Destaco, além dos Monkeys, outros artistas que têm interessantes discografias produzidas quase em sua totalidade de 2000 para cá e também soltaram bons álbuns este ano: Vampire Weekend (“Modern Vampires Of The City”), Arcade Fire (“Reflektor”) e o Queens Of The Stone Age (“…Like Clockwork”).

Bom, deixo aqui a matéria que publiquei em A TARDE pouco depois do lançamento de “AM”.

Arctic Monkeys chega ao ápice sem perder a essência em AM

Na abertura do vídeo de I Bet You Look Good On The Dance Floor o vocalista da banda de rock britânica Arctic Monkeys, Alex Turner, ironizava o próprio sucesso repentino do grupo em 2006, viralizado via MySpace e sites de compartilhamentos de arquivos como o Soulseek (lembram deles?), e profetizava: “Olá, nós somos os Arctic Monkeys. Não acredite no hype”.

O que parecia uma tirada de humor auto-depreciativo tipicamente britânico, rindo da possível efemeridade dos seus quinze minutos de fama, hoje soa quase profético. Sete anos depois do lançamento do primeiro disco, até hoje recorde de disco de estreia mais vendido da história do Reino Unido, os ‘Macacos do Ártico’ comandados por Turner construíram uma sólida carreira que chega ao ápice com o lançamento de “AM”, o quinto álbum do grupo.

Enquanto a maioria de seus contemporâneos não segurou o hype e marchou rumo à irrelevância (Strokes, Libertines) ou virou uma cópia de si mesmo (Franz Ferdinand), os Monkeys se tornaram uma das poucas bandas do rock dos anos 00 a permanecer relevante e já ter o status de uma sólida discografia, com cinco discos lançados.

Influências

AM marca o auge da maturidade do grupo, de uma trilogia iniciada em 2009 com “Humbug”. Nele, os Monkeys começaram a deixar de lado o indie rock mais festivo que absorvia de bandas como White Stripes e Strokes para buscar um som mais soturno.

Contou aí com a importante participação do guitarrista Josh Homme, líder da banda Queens Of The Stone Age e coprodutor de “Humbug”. Homme virou uma espécie de mentor dos Monkeys, que deixaram a Inglaterra para se fixar em Los Angeles. Agora, Turner se refere a Homme como “um membro da família”.

Nesse clima familiar, ambos trocaram participações em seus discos recentes: Turner canta em duas faixas do último do Queens, Like Clockward, e Homme participa de uma faixa de AM, a balada “Snap Out Of It”.

Outra influência confessa de “AM” é o Velvet Underground. Desde o título do disco, uma referência ao álbum VU, coletânea nomeada apenas com as iniciais da banda de Lou Reed (vá em paz, Lou!),  assim como o novo disco dos Arctic Monkeys, até a sonoridade de faixas como a balada “Mad Sounds”.

Garotas

Turner não nega que suas letras ainda giram em torno de um mesmo tema: garotas. “Eu ainda não posso escrever sobre montanhas. Continuo mexendo com as mesmas coisas de quando começamos, mas talvez esteja encarando elas de outra forma. Mesma história, novo diretor”, disse em entrevista ao site Pitchfork.

As músicas de trabalho de AM trazem um clima de questionamento com cara de “fim de noite” em músicas como “Are U Mine?” e “Why Do You Only Call Me When You’re High?”. Se Turner começou sua carreira cantando sobre encontros em uma pista de dança (“I Bet You Look Good On The Dance Floor”, “Dancing Shoes”), agora o tema são ligações e mensagens de texto para amantes às três da manhã, dúvidas sobre a veracidade dos sentimentos da sua amada.

Uma das principais receitas para se reinventar na música pop é saber mostrar novas facetas de sua obra sem perder a essência, aquilo que o torna únicos. Assim fizeram David Bowie, Beatles e tantos outros.

Este parece ser o caminho percorrido pelos Arctic Monkeys em AM: um coeso álbum de rock que em 12 faixas mostra novos caminhos para o grupo, sem deixar de se reconhecer aqueles mesmos garotos do início. Aguardemos os novos passos de Alex Turner e companhia. O futuro dos Arctic Monkeys soa promissor.

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2 comentários em “Arctic Monkeys chega ao ápice sem perder a essência em AM

  1. Vagner Campos
    dezembro 29, 2013

    Esse texto tá bom pra caralho, man. Por que vc não compartilhou? Bixona.

  2. Pingback: Mais ouvidos MM 2013: 1º Arctic Monkeys | Monde Musique

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Publicado em dezembro 6, 2013 por e marcado , , , .

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