Monde Musique

Blog de música. Toda música. Por Lucas Cunha

Belle & Sebastian, aos 10

Matéria publicada no lançamento do disco “The Life Pursuit”, quando o Belle completa 10 anos de carreira.

Matéria publicada no lançamento do disco “The Life Pursuit”, quando o Belle completa 10 anos de carreira.

Ainda é legal ouvir Belle & Sebastian? Ou eles viraram uma espécie de Legião Urbana, aquele tipo de banda que só tem sentido em uma fase de iniciação da vida? Eu mesmo admito que quase nunca volto a ouvir a discografia do Belle, que foi das minhas preferidas ali no início dos anos 2000, quando seus discos foram lançados no Brasil pela gravadora Trama.

Essa matéria abaixo foi lançado por volta de março de 2006, ainda estagiário, em uma colaboração para o extinto Caderno Dez!. Nessa época, o Belle já dava sinais que não iria mais conseguir produzir algo próximo dos seus três primeiros discos, apesar de ainda nos oferecer algumas boas canções.

10 anos de Belle & Sebastian – Queridinhos dos indies, principalmente nos anos 90, o grupo escocês Belle And Sebastian lança “The Life Pursuit” e continua a aumentar seu legado de fãs mundo afora.

Em Janeiro de 1996, o escocês Stuart Murdoch e alguns amigos que frequentavam o mesmo café 24 horas em Glasgow gravaram um LP chamado “Tigermilk” com tiragem limitada a mil cópias e pronto: começava o culto em torno do grupo Belle And Sebastian, um dos maiores ícones do rock alternativo até hoje.

Dez anos depois,em 2006, sem dois membros da formação original (Stuart Davis e Isobel Campbell deixaram o grupo para levarem a frente seus projeto paralelos, Looper e The Gentle Waves, respectivamente), o Belle & Sebastian chega ao seu sexto disco “The Life Pursuit” com a mesma doçura que encantou os indies de todo o mundo misturando baladas agridoces com referências literárias.

Um pouco mais alegres, é verdade, pois não há mais razões para cantarem aquele que foi o hino do grupo por muito tempo, a música “Get Me Away From Here, I’m Dying” (Me Tire Daqui, Eu estou morrendo) depois de uma década de sucesso.

O novo velho Belle & Sebastian

O lançamento do single “Legal Man”, em 2000, foi um marco de ruptura no som do grupo liderado pelo tímido e avesso a entrevistas Stuart Murdoch. A música e o seu clipe mostravam um grupo alegre com uma melodia altamente dançante, totalmente diferente da imagem feita do grupo até então.

A banda escocesa era conhecida pelas delicadas melodias acompanhadas de pianos, violinos, backing vocals femininos com letras que – via de regra – contavam historinhas vide bandas com o The Smiths e, aqui no Brasil, Legião Urbana.

Os shows em pequenos locais, discos com pequena distribuição e a quase inexistência de entrevistas foram aos poucos dando espaço a shows em grandes festivais na Europa, nos EUA e no Brasil, onde o grupo tocou o extinto Free Jazz Festival de 2001 e cedeu sua primeira entrevista em um programa de auditório, no “Programa do Jô”, na Rede Globo.

Um ano antes, em 2000, a gravadora Trama começou a lançar toda a discografia do grupo, tornando o Belle & Sebastian em um surpreendente sucesso de vendas no Brasil.

O Novo Disco

Pode-se dizer que “The Life Pursuit” tem um pouco de cada uma das fases do grupo nesses dez anos. A primeira música de Trabalho, “Funny Little Frog”, segue a linha de outros singles como “The Wrong Girl” e “Step Into My Office, Baby”, dos dois últimos álbuns, animadas canções que rimam sobre relacionamentos. As baladas com backing vocals femininos ainda estão presentes, mas em menor quantidade nas doces “Dress Up In You” e “Act Of The Apostle II”. Já a influencia Soul music / Motown, já presente desde o último álbum em músicas como “If She Wants Me”, reaparece na swingada “Song For Sunshine”.

Influências brasileiras

A ligação com o Brasil vem muito antes do lançamento de seus discos em nosso país. Os membros do Belle se mostraram profundos admiradores de artistas como Mutantes, Caetano e Gal Costa. Tanto que nos shows em São Paulo cantaram versões das músicas “Minha Menina”, de Jorge Ben, e “Baby”, de Caetano Veloso, ambas músicas gravadas pelos Mutantes, em – um não tão claro – português.

Em um fórum no site oficial da banda, quando perguntado por fãs o que o grupo tinha escutado ultimamente, Murdoch citou, além do músico americano Sufjan Stevens (que tinha lançado o disco “Cum On Feel The Illinoise”), os primeiros discos da cantora Gal Costa.

Turnês e nova geração

Enquanto outras bandas chegam aos dez anos de carreiras cansados de shows, turnês e outras coisas do show business do mundo da música, o Belle parece começar a curtir a vida na estrada agora. Prova disso é a recente turnê que o grupo inicia nos EUA e Canadá, a maior da banda até então, com 22 shows em 18 cidades, acompanhados da não tão nova – mas só descoberta há pouco – sensação vinda do Canadá, o super grupo New Pornographers, que tem uma formação muito parecida com o Belle: vários integrantes, uma banda com homens e mulheres que se revezam nos vocais.

É assim que o Belle chega aos 10 anos de vida, em turnês com grupos que os reverenciam, vendo nascer uma nova legião de fãs. Em outro tópico no site do grupo um fã pergunta se eles imaginavam estar fazendo sucesso após tanto tempo, se eles achavam que poderiam ser como os Stones. A resposta é curta: “Sim, nós somos os Stones”. Resposta irônica ou não, o certo que o Belle já não é posse de uma única geração. Pais e filhos agradecem.

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Publicado em dezembro 6, 2013 por e marcado , , , , , .
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