Monde Musique

Blog de música. Toda música. Por Lucas Cunha

Radiohead, apenas uma banda?*

Tela do site de venda de "The King Of Limbs", oitavo disco do grupo

Tela do site de venda de “The King Of Limbs”, oitavo disco do grupo

Como lançar um disco? O mais importante é vender disco ou fazer a sua música chegar no máximo de ouvintes, lucrando com shows e outras formas de arrecadação?

Estamos em 2013, virando para 2014, e essa discussão ainda não está nem perto de ter um fim. Esse post, originalmente feito em 2011, comenta as estratégias usadas pelo Radiohead para o lançamento do seu último disco, o “The King Of Limbs”, avisando que o álbum seria lançado apenas cinco dias de disponibilizar o seu download (pago).

Este ano, outros artistas utilizaram estratégias parecidas, até mesmo mais radicais, como a musa pop Beyoncé e deuses das guitarras soterradas shoegazers do My Bloody Valentine, lançando praticamente diretamente para os seus fãs, sem nenhuma estratégia prévia de publicidade, nem mesmo avisando para a imprensa que os discos estariam sendo lançados.

Mas a mesma estratégia serve para artistas inciantes? Há mais perguntas do que respostas. Por enquanto, deixo o texto de 2011 sobre a busca do Radiohead não só por novas estéticas musicais, mas também de plataformas de lançamento.

Qual será a próxima estratégia de Thom Yorke e companhia? Independente de como seja, certamente haverá uma legião de admiradores que seguirá, quase como um “culto internacional”, como disse Caetano Veloso sobre o grupo, o próximo passo dos ‘cabeça de rádio’.

Desde o lançamento de KID A, em 2000, todos os novos discos do grupo inglês Radiohead vem cercado de muita expectativa pelos fãs ao redor do mundo, transformando a banda liderada por Thom Yorke em um fenômeno, ou, como disse Caetano Veloso em uma entrevista, um “culto internacional”.

Com o novo disco do grupo, “The Kings Of Limbs, disponibilizado primeiro direto na Web, não foi diferente.

A declaração de Caê, dada em uma ótima entrevista ao músico norte-americano (e fã do colega baiano) Beck Hansen (Entrevista aqui em Parte 1 e Parte 2), é referente as suas percepções quando o Caetano assistiu a um show do Radiohead no Rio de Janeiro, em 2009.

Por coincidência, vi o mesmo show que Caetano, apesar que as reações devem ser muito parecidas nas outras apresentações do grupo.

Caetano chama atenção para o silêncio que o público fazia durante determinados momentos da apresentação para ouvir a voz de Thom Yorke em músicas mais “líricas”. Ainda segundo Caetano, o público estava muito conectado com a forma e performance do show.

Na verdade, parece que tudo que é feito pelo Radiohead tem uma grande afinidade com seu público. E vice-versa. A banda está atenta aos novos caminhos que a música e o mercado que lhe envolve vem tomando, sempre se arriscando em novos formatos para a comercialização da sua arte.

Até o início do ano, haviam apenas algumas entrevistas com integrantes do grupo comentando gravações em estúdio, mas nenhuma real indicativa de quando o disco seria lançado.

Uma delas, publicada na revista inglesa NME e feita durante a passagem pela América do Sul (Brasil incluído), chegava a citar como influência os brasileiros do Sepultura!!

Eis que, não mais que de repente, o twitter oficial da banda anunciou em uma segunda-feira que o grupo lançaria um novo disco no sábado seguinte, divulgando posteriormente um site para compra do disco, em duas opções: duas versões digitais (US$ 9, em MP3; e US$ 14, em WAV) e duas versões físicas especiais, (US$ 80 e US$ 87, que também dão direito ao download da versão digital).

A tal versão especial traz dois vinis, um cd, vasto material com arte especial sobre o disco e outras coisas mais, mas que só foi enviado aos fãs em maio, três meses do lançamento digital.

Para convencer alguém a “pagar por música”, é preciso oferecer algum tipo de algo mais. O que justifica o aumento pela procura de vinis, não apenas pela suposta qualidade superior, mas principalmente pelo material gráfico (capa do Vinil + encarte) que é muito mais atrativo, especialmente para fãs.

Quando todos aguardavam pela chegada do disco no sábado, a banda colocou um aviso (em japonês) no twitter, que remetia apenas a um endereço de uma praça no Japão, com o horário das 18:59 da última sexta-feira. O que iria acontecer lá? Um show da banda?

Ficou tudo mal explicado até a gravadora que lançou a versão física do disco no Japão ter pronunciado o cancelamento devido a “problemas de segurança no local”.

Então, mais uma surpresa. Um novo tweet, na sexta-feira, avisa que o disco já estava disponível para download (para aqueles que fizeram a compra), além de colocar na conta do You Tube do grupo o vídeo de uma das músicas, “Lotus Flower”, que nada mais é do que Thom Yorke dançando ao som da canção.

O jornalista Tim Jonze, do respeitado jornal inglês The Guardian, chegou a brincar em sua resenha quase em tempo real do disco, se Thom Yorke não sabia que “os jornalistas tem apertados deadlines”.

O grupo apostou todas as fichas no contato direto com o público. Nada de premières para a imprensa, coletiva, lançamento de clipe em canal de TV, apresentação especial na MTV. Nada.

Choveram críticas relâmpago nos sites, mas aí com uma ressalva: toda a imprensa concorrendo com blogs e fãs comuns. Nada de cópias promocionais para jornalistas (muitas vezes, as responsáveis pelos vazamentos dos discos).

E no imediatismo crítico, todos, jornalistas e fãs eram praticamente compelidos a dar seus depoimentos sobre o disco. Afinal, em tempos de Twitter e Facebook, ou você entra no bonde do que está rolando no momento, ou o que vier depois será descartado, poucos vão querer ler um texto crítico sobre o disco, digamos, alguns dias depois. (Boa reflexão sobre o tema do “imediatismo crítico” aqui)

Todos então tinham suas opiniões sobre o disco, sobre o Radiohead, sobre a dancinha do Thom Yorke em “Lotus Flower”, sobre as versões mashup do vídeo com outras músicas que ganharam a web. A depender de quem você segue no Twitter, não havia praticamente outro tema na Timeline.

Então, volto ao título do post. Será o Radiohead só uma banda? Falar sobre o “The King Of Limbs” é falar sobre um lançamento como outro qualquer?

*Título retirado de trecho da música “Thou Shalt Always Kill”, do duo inglês de hip hop Dan Le Sac Vs Scroobius Pip, que faz uma sátira da cultura pop britânica, e traz a seguinte frase “Você não deve colocar músicas e discos em ridículos pedestais não importa o quão grande eles são ou foram… Radiohead, apenas uma banda”. (vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=8X8nRxsTgzA)

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Publicado em dezembro 6, 2013 por e marcado , , , , , .
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